Apple vs FBI: estará em causa a nossa privacidade?

O mundo tem sido vitima de vários ataques terroristas e 2015 foi um ano particularmente complicado. Para além dos conhecidos ataques à redação do Charlie Hebdo e da noite fatídica de 3 de novembro que mergulhou Paris no caos, o mundo foi assolado por muitos outros ataques que ceifaram um elevado número de vítimas em África, no Médio Oriente, nos Estados Unidos, etc. Foi precisamente um atentado ocorrido nos EUA que motivou o conflito entre a gigante da maçã e o FBI.

A 2 de Dezembro de 2015, o terrorismo voltou a mostrar a sua face mais cruel. Em San Bernardino, uma cidade californiana, 14 pessoas morreram e 22 ficaram gravemente feridas num tiroteio.  O ataque foi planeado e executado por Syed Rizwan Farook e Tashfeen Malik. Segundo consta, o plano do casal era matar cerca de 80 pessoas que participavam num evento do Departamento de Saúde Pública que decorria naquela cidade. Os terroristas foram cercados e acabaram mortos pelas forças de segurança. Ainda que tenham sido minimizado o número de mortes, o sangue derramado e a morte de 14 pessoas inocentes, deu ao terrorismo mais uma vitória o que levou o FBI a abrir uma investigação ao caso, numa tentativa de procurar ligações a células terroristas ativas e com capacidade perpetrar novos atentados. É então aqui que começa a guerra entre Apple e FBI.

Os investigadores do caso encontraram um iPhone 5c que alegadamente pertencia a Farook, o qual acreditam conter informações relevantes que podem desbloquear e levar a investigação a uma mais longe. No entanto, ao inspecionarem o aparelho esbarraram com os sistemas de segurança e privacidade que impossibilitam o acesso a grande parte da informação contida no smartphone. Nesta fase, o FBI contactou a Apple e pediu para que a concedesse livre acesso às informações contidas no iPhone e para isso, teria que ser desenvolvido um software específico. A Apple, disponibilizou meios para facilitar o trabalho dos investigadores, recusando, porém, conceber um “caminho” que concedesse livre acesso às informações protegidas. A empresa americana justificou tal decisão sob a premissa de que ao aceder ao pedido do FBI, estaria a abrir um precedente que colocaria em causa um dos principais factores que contrói a confiança com os clientes e utilizadores dos seus produtos: a segurança e a privacidade dos seus dados.

Numa carta redigida aos clientes, Tim Cook, CEO da Apple, referiu que “o FBI quer que nós criemos uma nova versão do sistema operativo do iPhone, contornando várias funcionalidades de segurança importantes, e o instalemos num iPhone recuperado durante a investigação. Nas mãos erradas, este software – que ainda não existe – teria o potencial para desbloquear qualquer iPhone na posse de qualquer pessoa.” 

Na mesma carta, Cook dá algumas luzes do que seria a aplicação deste sistema numa sociedade como a nossa, caso se concretizasse a hipótese de servir interesses mal intencionados. “O Governo sugere que esta ferramenta só poderia ser usada uma vez, num único telemóvel. Mas isso não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer telemóvel. No mundo físico, seria o equivalente a fazer uma chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras – de restaurantes a bancos, de lojas a casas. Nenhuma pessoa de bom senso acharia isso aceitável”

Certo é que, a Apple viu a sua decisão apoiada pelas gigantes tecnológicas Google, Facebook, Whatsapp, o que cria um grupo coeso e forte que dá força à tese apresentada.

No outro lado da história aparece Bill Gates que tem uma opinião diferente sobre o tema e prefere confiar no argumento dos tribunais quando invocam o cariz “particular” deste caso. Numa entrevista ao Financial Times, o fundador da Microsoft defendeu que a Apple deveria cooperar com o FBI. “Isto é um caso específico onde o governo está a pedir para aceder a informação. Eles não estão a pedir nada em geral, estão a pedir para este caso em particular,”, disse Gates. Uma opinião que, por enquanto, parece deixá-lo sozinho deste lado da barricada.

O que está em causa é a privacidade de todos os utilizadores no mundo. Será que é aceitável que se coloque em causa este direito adquirido pela suposta luta contra terrorismo? Por mais que se discuta e por mais dados que existam, no final, será sempre uma questão de opinião individual.

 

 

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