#MeToo

“Every rose has its thorn”, já dizia a música dos Poison. E as redes sociais são uma rosa com muitos, muitos espinhos…

Lembram-se de quando o nosso nível de coolness era definido pelas calças mais largas, os ténis mais luminosos, a mota mais imponente…? Hoje em dia, a adensar estes critérios mais materialistas – devidamente adaptados ao seu tempo -, temos o número de seguidores. O número de likes. A popularidade virtual, que inevitavelmente acaba por extravasar para a “vida real” – ou vice-versa.

E desde casos de bullying virtual a homicídios involuntários, há de tudo: lembram-se, por exemplo, do caso de uma mulher norte-americana, grávida do segundo filho, que disparou sobre o namorado – que segurava um livro para impedir que a bala o atingisse – apenas para aumentar o número de visualizações e seguidores no seu canal de YouTube? A sugestão foi do próprio, que acabou por morrer.

Ideias “peregrinas” à parte, convenhamos que as redes sociais também têm muito de bom. Ou não fossem um espelho da nossa vida de “carne e osso”.

No seguimento do escândalo sexual que envolveu Harvey Weinstein, em que várias mulheres avançaram com acusações de assédio e abuso sexual que remontam à década de 90 – e que, entretanto, renderam ao produtor de Hollywood a quase total ostracização social – as “vozes” têm ecoado nas redes sociais.

Nos últimos dias várias mulheres (e também alguns homens) partilharam as suas histórias de assédio e/ou violência sexual sob a hashtag #MeToo. Supostamente, foi a actriz Alyssa Milano (uma das muitas vítimas de Weinstein) que deu o mote, seguido por nomes sonantes como Lady Gaga, Monica Lewinsky, Rosario Dawson, Evan Rachel Wood, America Ferrera…

Há que referir, no entanto, que esta hashtag não é de agora. Foi criada por Tirana Burke, que iniciou o movimento há 10 anos. Como destaca a Nylon, a activista pretendeu criar, através da sua organização Just Be Inc., “um espaço seguro para um grupo de pessoas muito específico, cuja dor e sofrimento são frequentemente varridos para debaixo do tapete: mulheres de cor em comunidades carenciadas.”

Uma década depois, a hashtag faz parte dos trending topics das redes sociais e é assustador o número de vítimas que decidiu sair da penumbra. Há quem diga que “a consciência da escala do abuso não resolve o problema”. De qualquer forma, não deixa de ser arrepiante a dimensão que podem tomar: tanto os crimes como o poder da propagação das mensagens.

No meio de tantos perigos, as redes sociais provam mais uma vez que podem ser palco do sentido de pertença a uma comunidade que partilha das mesmas angústias. Voltam a provar que podem devolver a voz a quem decidiu calá-la por medo, por vergonha.

E é sobre este prisma de positivismo que me parece oportuno destacar a mais recente aquisição do Facebook: a tbh. Trata-se de uma aplicação móvel que convida adolescentes a espalhar mensagens positivas. A aplicação, acrónimo da expressão “to be honest”, convida os seus utilizadores a responder, de forma anónima, a questões de resposta múltipla sobre os seus amigos. Com um twist: todas as perguntas têm uma conotação positiva. A app já foi descarregada por mais de cinco milhões de pessoas.

“Quando decidimos avançar com a tbh, queríamos criar uma comunidade que nos fizesse sentir mais felizes e confiantes em relação a nós próprios. Sentimos que as pessoas precisavam de interacções genuínas e positivas nas suas experiências online”, explica a tbh, em comunicado, avançado pela Marketeer.

E não é isso que todos queremos, nas redes sociais e… na vida?

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