Engana-me que eu gosto…?

Sempre trabalhei com marcas, a comunicá-las ou a falar por elas, mas também – uma vez que não vivo numa caverna isolada do mundo – sempre as consumi.

E agora quem vos escreve é, precisamente, uma consumidora. Aquele tipo de pessoas a quem as marcas tentam chegar e conquistar, sabem?

E que, por acaso, até nem gosta de ser enganada! Quem está comigo, ponha a mão no ar!

Como muitos internautas, sigo blogues. Não muitos, não de forma desenfreada e assídua, confesso, mas há uns quantos que procuro seja para puro deleite visual, estético, ou para procurar recomendações relativamente a alguns produtos. Maquilhagem, regra geral.

Deparo-me com a descrição, na primeira voz, da rotina de cuidados de beleza uma blogger de que gosto bastante. “A minha rotina diária!”

“Uau! Que produtos usará ela no dia-a-dia?” Claramente o conteúdo tinha sido patrocinado por uma marca conhecida da nossa praça, mas dei-lhe o benefício da dúvida. Houve ali um produto que me chamou à atenção e até fui comprá-lo! Não só não fiquei desiludida como já nem sei passar sem ele. Mas não é esse o propósito desta história.

Continuemos.

Na semana seguinte, novo post. “A minha rotina diária!”. “Outra vez?”, pensei eu. Sim, outra vez, mas desta feita o patrocínio era feito por outra marca e, afinal, a rotina diária da blogger e os produtos sem os quais “já não conseguia viver”, tinham mudado completamente num curto espaço de tempo.

O que me leva a pensar: isto foi vantajoso para quem? Para a blogger, que acabou por defraudar um pouco da autenticidade que eu – e outros leitores – lhe atribuíam? Para a marca, que acaba por replicar conteúdo com a concorrência? Para os leitores, que acabam por não perceber, afinal, que produto é que a blogger que seguem recomenda e até que ponto a opinião da mesma é imparcial?

Choveu dinheiro, perdeu-se a autenticidade. (By the way, qual o valor da autenticidade?)

Não será por episódios pontuais como este que deixarei de seguir o blogue. Mas não pensem que ando a dormir, senhoras marcas!

Há alguns anos as marcas viram nos bloggers veículos mais “autênticos” para a difusão das suas mensagens. Como em tudo, esta tendência atingiu um pico e está actualmente – na minha humilde opinião – a chegar ao ponto de saturação, se é que já não o atingiu.

Mais recentemente as marcas descobriram os YouTubers e parece que não há estratégia que se crie sem contemplar estes “mensageiros”, sob pena de estes perderem a sua autenticidade, à semelhança dos bloggers.

As marcas descobrem, exploram até ao tutano, saturam. Até que descobrem outra “vítima” para explorar até ao tutano e saturar, a qualquer custo e a um ritmo cada vez mais desenfreado.

Como consumidora, gosto de ver como as marcas procuram contornar este desígnio. Como procuram ser criativas, inovar, ser verdadeiramente disruptivas.

Enganem-me, mas bem, com arte! Assim, eu até posso gostar.

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