Influenciadores… virtuais? Ainda a procissão vai no adro!

Todos nós sabemos que as realidades retratadas no Instagram são, em muitos casos, questionáveis: ninguém é sempre assim tão feliz, tão bonito, tão rico, tão calmo… Todos temos os nossos lados lunares, mas qual é o mal de recorrermos a “escapes aspiracionais”?

O jogo torna-se mais interessante quando o Instagram se revela um palco onde se pode brincar com a linha ténue que separa o real do virtual.

Já ouviram falar da Shudu? Trata-se de uma modelo de membros longos, pele negra e uma beleza misteriosa que surgiu no Instagram no ano passado e atraiu imediatamente milhares de seguidores. Actualmente já ultrapassa os 90 mil. E muitos se questionaram sobre a sua identidade!

Até que a Harper’s Bazaar veio levantar o véu: a Shudu não é uma modelo real. É uma criação digital do fotógrafo britânico Cameron-James Wilson.

O fotógrafo nunca quis, no entanto, decepcionar ninguém com esta sua criação, adianta a BBC. Ele vê a modelo como uma “obra de arte”, uma “celebração virtual das belas mulheres de pele negra”. Como fotógrafo de moda, a intenção foi capturar o tipo de beleza celebrizado por supermodelos negras como Alek Wek. Ao criar Shudu, Cameron-James Wilson sentiu-se dividido em relação à forma como deveria apresentá-la: real ou virtual? No entanto, à medida que mais e mais pessoas começaram a seguir o seu perfil, rapidamente se tornou uma influenciadora e, portanto, uma ferramenta poderosa e lucrativa, especialmente para marcas de moda. A criação – e a sua intenção – ultrapassou o próprio criador!

 

Créditos: Instagram – @shudu.gram

Shudu até pode ser apelidada de primeiro supermodelo digital, mas não é a única influenciadora de realidade virtual, faz notar a BBC – e, entretanto, outros meios que começaram a mostrar interesse pelo tema!

Se procurarmos por @lilmiquiela no Instagram encontramos a conta de uma californiana de 19 anos, com cabelo escuro, sardas, fiel a praticamente dois estilos de penteado (ponta pela qual os seus seguidores começaram a “pegar”, quando a barreira entre realidade e digital se começou a esbater). Prada, Chanel, Vans, Supreme, Margiela… São várias as marcas que veste e com que trabalha. Como explicou a sua agente, “ela só fez dinheiro através do design e da colaboração em colecções de marcas.”

 

Créditos: Instagram – @lilmiquela

Mas há muitas camadas nesta modelo virtual que tem mais de 870 mil seguidores. No ano passado ela lançou o single “Not Mine”, que se tornou viral no Spotify. Ela utiliza o Instagram para apoiar causas como a Black Lives Matter e apoia organizações como a Black Girls Code, que promove a formação tecnológica de raparigas, faz notar a BBC. Tudo traços que humanizam esta existência que, aparentemente, é exclusivamente virtual!

Os seus seguidores estão, na verdade, confusos sobre se Miquela é ou não uma pessoa real. E os seus criadores são esquivos no esclarecimento: será ela uma pessoa real ou totalmente falsa? Ou, talvez, uma pessoa real com retoques virtuais?

A “mentira” – ou, neste caso, o mistério – pode ter perna curta! Quando um jornalista da BBC a convidou para uma entrevista – que foi conduzida por email – estava em CC um colaborador de uma empresa chamada Brud, que se descreve como “um grupo de Los Angeles de solucionadores de problemas de robótica, inteligência artificial e as suas aplicações a negócios de media.”

Até à data, Miquela só concedeu uma entrevista de voz, ao youtuber Shane Dawson. E quando questionada pela sua identidade, responde de forma evasiva com “Consegues dizer o nome de uma pessoa no Instagram que não edite as suas fotografias?”.

Facto é que os seus seguidores – assim como os de Shudu – parecem aceitar a sua influência, independentemente de a sua existência ser real ou apenas virtual.

Justin Rezvani, fundador e anterior CEP da TheAmplify, uma agência de marketing que liga marcas e influenciadores – e que foi, diga-se de passagem, nomeado pela Forbes como um dos jovens visionários #30Under30 – acredita que a era da influência social está apenas no princípio e que vai começar a conquistar terreno no campo virtual.

Desse lado: como se sentem em relação a influenciadoras virtuais? E acham que Miquela é real, virtual… ou uma mistura dos dois?

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