A MENTE DE SHANE DAWSON. ESTE É O FUTURO DO YOUTUBE?

Há vida no YouTube para lá dos vídeos tag /desafios – “50 factos sobre mim”, “Make-up sem espelho”, “Respostas hilariantes do WhatsApp”, “Perguntas em 5 minutos” (podia continuar mas acho que já perceberam a ideia) – conteúdos infantis, polémicas entre YouTubers que por sua vez alimentam muitos canais de YouTube e provocam respostas de outros canais (olá Inception!) e claro…os gatinhos. Nada contra este tipo de conteúdo: é entretenimento puro. Encontramos coisas boas, más e as meh. Simples.

Até há bem pouco tempo, quando a maior parte das pessoas nem sabia o que era um youtuber – a não ser o público infantojuvenil – o jogo do YouTube era simples: os criadores tinham a possibilidade de partilhar, de forma gratuita, o seu conteúdo, com um controlo absoluto de todo o processo criativo.
Sem produção. Sem equipas a dar-te apoio. Uma pessoa em frente a uma câmara. Autenticidade. Depois a ditadura das visualizações instalou-se (olá AdSense!) e tudo mudou. Tal como aconteceu com o Facebook, tal como está a acontecer com o Instagram. É um negócio. Com tudo de bom que isso traz. Com tudo de mau que isso traz.

interfacePrimeiro interface do YouTube | 2005

O jogo tornou-se mais complicado. A autenticidade, em alguns casos, vem sempre com um mas. Fala-se dos limites do YouTube. Que alguns criadores pisam o risco apenas pelas visualizações. Que o YouTube está a destruir as novas gerações (onde é que eu já ouvi isso?).

De repente encontramos especialistas da matéria em cada esquina. Mas, se pensarmos bem, é mais uma plataforma, como tantas outras. Encontramos conteúdos bons, maus e meh. Simples.

_YOUTUBEGOTMEFIRED_01Shane Dawson, 2008.

No meio desta confusão surge algo verdadeiramente novo, criado por alguém que conhece bem o YouTube e que testemunhou as várias transformações desta plataforma.

Shane Dawson começou a partilhar vídeos há 10 anos. Tem, neste momento, mais de 17 milhões de subscritores. Mudou a linha de conteúdos inúmeras vezes, passou pela partilha de sketches de comédia, vídeos tag, desafios…mas nos últimos meses tem sido responsável por uma mudança interessante de paradigma: a criação de uma série de documentários (divididos por vários episódios).

Muitos criadores de contéudos falam da possibilidade do jogo estar a mudar outra vez graças a Shane Dawson, que poderá conseguir a proeza de resgatar a autenticidade que o negócio  anulou e que isso poderá influenciar outros YouTubers contaminados pela ditadura das visualizações.

Mas também há muitas críticas.

The-mind-of-Genérico da nova série de documentários de Shane Dawson:
“The Mind of Jack Paul”

Porque é que isto é (de certa forma) revolucionário?

Se, até então, a boa prática passava pela publicação de vídeos relativamente breves (para captar a atenção), mas não demasiado breves (para que o AdSense tenha efeito) – de 10/15 minutos – Shane quebrou todas as regras com vídeos longos de, aproximadamente, 45 minutos, que são muito mais do que apenas conteúdos de entretenimento.

Nestas séries de documentários, Shane já analisou o declínio do canal da youtuber grav3yardgirl, um dos primeiros fenómenos no YouTube; já esmiuçou a vida e carreira de uma das figuras mais polémicas desta plataforma, Jeffree Star; tentou explicar o falhanço do evento Tanacon e agora a chave de ouro: lançou o documentário de 8 partes (no momento em que escrevo lançou apenas 4 partes) de uma das figuras mais controversas do mundo digital, Jack Paul:  “The mind of Jack Paul”.

A premissa é sugestiva: Jack Paul é um sociopata?

As intenções de Shane são claras: aprofundar o que leva alguém a expor-se nesta plataforma, quer conhecer o outro lado das personas, as consequências do sucesso no YouTube. Resumindo: arrancar a autenticidade destes produtores de conteúdo que ficaram reféns das suas personas digitais. Para isso vai até à casa dos “objectos de estudo” para tentar encontrar a essência perdida, entrevista as pessoas mais próximas para garantir the whole picture, pontuando o documentário com vlogs sobre toda a logística do documentário, partilhando as suas inseguranças, as suas intenções com o documentário. Tudo isto numa edição home made, sem o rigor cinematográfico dos documentários tradicionais.

Esta edição crua é uma das peças fundamentais para percebermos que estamos diante algo novo, que nos coloca presos ao ecrã e a desejar a próxima parte do documentário. Como se estivéssemos na pele do Shane à procura da verdade.

As visualizações são impressionantes!

Not only is this fuc*** great, Shane has done something everyone in digital is failing at. He’s created anticipation & ratings around longform internet content. I cant wait the next ep. I haven’t felt this way since TV. He’s created a successful crossover of television & digital https://t.co/TdMX7zEcoy
— lil phag (@elijahdaniel)
September 26, 2018

 Making a Murderer, one of the biggest, most talked about docuseries to come out in the past few years, got 19m viewers in 35 days across all episodes. @ShaneDawson is getting almost that per EPISODE in less than a week w a homemade series & if that isn’t inspiring idk what is
— lil phag (@elijahdaniel)
October 1, 2018

Outro dado interessante é que a reacção do público – depois do lançamento de cada parte – pode influenciar totalmente a edição do próximo segmento a ser lançado. Aconteceu, dia 1 de outubro, com a 3ª parte do documentário dedicado a Jack Paul.

Dawson está sempre atento às críticas e, se forem construtivas e tocarem num ponto interessante para a história, podem significar uma edição totalmente diferente com a integração das reacções do público e de outros youtubers e também com a inclusão de adendas do próprio Shane.

Esta é outra diferença que faz com que Shane Dawson esteja a fazer a diferença, enquanto criador de conteúdos: este acompanhamento em real time dá ao público o poder de escrever, em conjunto com Dawson, a história destes documentários.

A Parte 5 vai ser lançada, dia 5 de Outubro, aqui, e contará com a intervenção de Jack Paul.

Estamos ansiosos e vocês?

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